Tragédia climática na Zona da Mata mobiliza encontro emergencial do CLÍMAX em Juiz de Fora neste Sábado (14)

por | mar 11, 2026

Foto: CBMG-MG

As mudanças climáticas estão se intensificando, e Minas Gerais é o terceiro estado brasileiro que mais sofre com seus impactos. Temperaturas extremamente altas, chuvas intensas e eventos climáticos extremos têm marcado o território. Recentemente, o estado foi palco do quarto maior desastre causado por chuvas no Brasil nos últimos dez anos, segundo o Cemaden. É nesse cenário de emergência ambiental que o CLÍMAX se reúne para um encontro emergencial em Juiz de Fora, no dia 14 de março.

Foram 72 mortos na região da Zona da Mata, além de incontáveis momentos de angústia e sonhos destruídos. A cena cultural da região também sofre com os impactos da tragédia, espaços culturais foram danificados, e artistas, coletivos, mestres e mestras da cultura popular tiveram suas casas afetadas, atividades interrompidas, equipamentos danificados e projetos comprometidos.

A realização do CLÍMAX em Juiz de Fora tem como principal objetivo documentar um conjunto de relatos sobre as diferentes formas como a população foi afetada pela tragédia climática na cidade, especialmente no setor cultural. A iniciativa busca ainda desenvolver um processo de reflexão capaz de dimensionar como o avanço do racismo ambiental, o descaso com as populações periféricas e a falta de preparo para enfrentar os impactos da crise climática revelam consequências profundas e brutais.

Paralelamente, a Comissão Municipal de Cultura Viva de Juiz de Fora, com apoio da Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa), iniciou um trabalho de mapeamento de artistas e espaços culturais afetados pelas chuvas na cidade, a iniciativa busca identificar os impactos sofridos por trabalhadores e trabalhadoras da cultura no território. Os dados levantados também serão utilizados nos debates promovidos pelo CLÍMAX Emergencial.

Isabela Moreira, Vice presidente da Associação Cultural Bloco Afro Ìlù Àse Muvuka e Coordenadora da Comissão Municipal Cultura Viva de Juiz de Fora explica a importância de levar o CLÍMAX para a cidade nesse momento: “ O evento irá dialogar com o cenário atual da cidade, através de uma dinâmica de escuta, registro e denúncia sobre como determinados grupos foram atingidos, as ações de solidariedade realizadas em prol desses grupos, as reais necessidades dessas pessoas, a partir de agora, e como podemos avançar sobre os debates em relação à justiça climática e o combate ao racismo ambiental, a paridade de uma perspectiva de estratégia de sobrevivência”.

O clima é vida, cultura e política. Por isso, a Mídia Ninja, por meio do Canal de Comunicação CLÍMAX, o Ponto de Cultura Associação Cultural Bloco Afro Ìlù Àse Muvuka e o Ponto de Cultura Porão do Street se unem para realizar esta edição do evento em busca de soluções éticas, coletivas e urgentes diante da crise climática. 

Isabela convida todas a participarem e explica que “a população pode se envolver neste processo, participando da atividade do Clímax, no dia 14, lá no Porão do Street e respondendo ao formulário de mapeamento emergencial da cultura, desenvolvido pela Comissão Municipal Cultura Viva de Juiz de Fora, que irá coletar dados sobre os impactos da tragédia dentro do setor cultural, a fim de compreender, de forma ampla, as urgências e perdas desses grupos, além de fornecer dados contundentes para dialogar com o poder público sobre os auxílios necessários para a população e para os fazedores de cultura nesse momento”.

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