QUEBRAMAR ESTÁ DE VOLTA: festival que já levou grandes nomes a Macapá retorna com 50 shows gratuitos

por | set 14, 2026

8ª edição começa em setembro e terá programação por três meses, conectando artistas do Amapá, Brasil, Guiana Francesa e Suriname

Foto: Reprodução

O Festival Quebramar está de volta ao Amapá e promete transformar novamente Macapá em ponto de encontro da música autoral e da produção cultural da Amazônia. A 8ª edição do evento começa em setembro e terá uma programação que se estende por três meses, com música, teatro, cinema, literatura, grafite, artes plásticas, fotografia, esporte e atividades de formação. Com patrocínio master da Petrobras, por meio do programa Petrobras Cultural, viabilizado pela Lei Rouanet, o festival chega com o tema “Integrando as Guianas”, apostando em uma conexão maior entre artistas e profissionais do Amapá, de outras regiões do Brasil, da Guiana Francesa e do Suriname.

Ao todo, estão previstos 50 shows gratuitos, reunindo atrações regionais, nacionais e internacionais, além de uma Rodada de Negócios que aproxima artistas e produtores de festivais e profissionais interessados em contratar apresentações e estabelecer parcerias. A proposta é transformar o festival em uma ponte para que a produção cultural do Amapá possa circular por outros territórios e, ao mesmo tempo, trazer novas referências para o estado.

A programação começa no dia 2 de setembro, com o projeto Quebramar na Escola, que leva atividades culturais e formativas para instituições de ensino. Outras ações estão previstas ao longo de setembro, até a grande programação do festival, que acontece de 27 de outubro a 1º de novembro, no centro de Macapá, em frente ao rio Amazonas.

Ciclo formativo: cultura que começa dentro das escolas

Antes de ocupar os palcos e reunir artistas de diferentes territórios, a 8ª edição do Festival Quebramar começa dentro das escolas. A primeira etapa dá início ao Quebramar na Escola a partir do dia 2 de setembro, percorrendo os municípios de Macapá, Santana, Mazagão e Oiapoque, com oficinas de Contação de Histórias, Música, Livro Artesanal e Midiativismo em 8 escolas públicas municipais e estaduais, totalizando 12 oficinas e 4 apresentações musicais e alcançando cerca de 240 adolescentes e 120 crianças.

A proposta é estimular crianças e adolescentes a perceberem que também são autores de suas próprias histórias. Seja pela palavra, pela música, pelo livro artesanal ou pelas ferramentas de comunicação, o projeto cria espaços para que os estudantes conheçam diferentes formas de expressão e compreendam que suas vivências, seus territórios e suas comunidades também merecem ser narrados.

O Ciclo formativo se encerra em Oiapoque, no dia 23, após passa por quatro municípios do Amapá:

  • 02/09 – Macapá: E.M. Esforço Popular e E.E. Professora Raimunda dos Passos Santos
  • 09/09 – Santana: E.M. Iranilde de Araújo Ferreira e E.E. José Barroso Tostes
  • 15/09 – Mazagão: E.M. Pedro Correia de Souza e E.E. Fagundes Varela
  • 23/09 – Oiapoque: E.M. Márcia do Socorro e E.E. Indígena Jorge Iaparrá.

Nas escolas municipais, a programação conta com a escritora e artista Laura do Marabaixo,  e o músico Anthony Barbosa nas oficinas de Contação de Histórias e Show Musical, que buscam abrir as portas de entrada para o imaginário e valorização das narrativas locais.  Já nas escolas estaduais, o projeto amplia o diálogo entre cultura e comunicação, com atividades de Midiativismo conduzidas por Bell Brandão e Gabriel Guimarães, Livro Artesanal e Roda de Conversa com a escritora Pat Andrade, além de apresentações musicais de Bell Brandão, Jhimmy Feiches, da banda Luxuosos Corações e do grupo Dois.

Para Heluana Quintas, coordenadora de produção do Festival Quebramar, levar o festival para dentro das escolas é também uma maneira de fortalecer o vínculo entre cultura, território e juventude: “O Quebramar na Escola nasce da compreensão de que contar a própria história é uma forma de ocupar espaços e afirmar identidades. Queremos mostrar aos estudantes que eles não precisam esperar que alguém conte suas histórias por eles. Eles podem escrever, cantar, produzir um livro, criar conteúdo, registrar o que acontece ao seu redor e transformar suas vivências em narrativa. Quando fazemos isso dentro das escolas, estamos também estimulando novos olhares e novas vozes para a cultura do Amapá”.

Esse compromisso com a formação segue ao longo de toda a edição: ao todo, serão 14 atividades formativas e 270 vagas oferecidas ao público, somadas à Rodada de Negócios, cobrindo áreas como economia criativa, sustentabilidade, artes cênicas, audiovisual e captação de recursos.

De Racionais a Emicida: um festival que já levou grandes nomes a Macapá

O retorno do Quebramar também resgata a história de um festival que ajudou a colocar Macapá no circuito da música independente brasileira. Nas sete edições anteriores, o evento recebeu nomes como Racionais MC’s, Emicida, Arnaldo Antunes, Karol Conká, Teatro Mágico e Torture Squad. Além dos artistas nacionais, o festival serviu como espaço de projeção para nomes da própria cena amapaense, bandas como Minibox Lunar e Amatribo passaram pelo evento e encontraram ali oportunidades de visibilidade e conexão com outros profissionais da música.

Segundo dados da organização, as sete primeiras edições reuniram 90 artistas, 14 espetáculos cênicos, sete exposições, sete mostras audiovisuais e 56 palestrantes, alcançando mais de 80 mil pessoas.

Na 8ª edição, a curadoria musical segue focada na música amazônica, brasileira e internacional, sempre fechando cada noite com uma grande atração. De 29 de outubro a 1º de novembro, o Anfiteatro da Fortaleza recebe, diariamente, atrações locais, da Amazônia, uma internacional e uma nacional, incluindo um dia dedicado a shows instrumentais, com atrações do Amapá, do Amazonas, do Pará, da Guiana Francesa e a apresentação de um artista de reconhecimento nacional. A lista completa de atrações será revelada no dia 26 de setembro, na Maré Lançante, junto com o lançamento do site oficial do festival.

Integrando as Guianas

O Festival Quebramar é um dos principais eventos tradicionais de artes integradas do Amapá. Realizado em Macapá, reúne música, artes visuais, teatro, oficinas e outras manifestações culturais, promovendo historicamente o intercâmbio entre artistas da Amazônia e de diferentes regiões do país, fortalecendo a produção cultural e a diversidade artística amazônica.

Em 2026, a grande novidade é a integração com a região das Guianas, por meio da participação de artistas e produtores de festivais da Guiana Francesa e do Suriname. O projeto busca ampliar as conexões e criar novas possibilidades de circulação para artistas independentes, colocando Macapá no centro de uma rota cultural que conecta o Brasil às Guianas.

Essa proposta ganha corpo na Rodada de Negócios, que reúne festivais compradores e artistas interessados em circulação: participam o Circuito Amazônico de Festivais, Circuito Mineiro de Festivais, ABRAFIN – Associação Brasileira de Festivais Independentes, além de 7 festivais da Guiana Francesa e 2 do Suriname. Também estão previstos um encontro específico entre os festivais da Amazônia e os da região das Guianas, com o objetivo de elaborar rotas de circulação de produtos musicais, e uma oficina de Pitch voltada aos artistas.

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