Projeto entre UFPA e Mídia NINJA transforma COP30 em laboratório de jornalismo

por | mar 9, 2026

Foto: Oliver Kornblihtt

No momento em que a comunidade e a universidade se encontram, a educação revela seu verdadeiro significado. A partir de uma metodologia de educação livre, o time da Casa NINJA Amazônia e a Universidade Federal do Pará (UFPA) se uniram para realizar a cobertura do maior evento climático do planeta, a COP30.

Ao todo, 20 alunos foram selecionados para atuar lado a lado com a equipe NINJA na cobertura do evento, por meio de um projeto de extensão que proporcionou aos estudantes uma experiência prática de jornalismo ético e político. Foram dias intensos de cobertura em tempo real, trabalho em rede e exercício do jornalismo independente, conectando universidade, território e transformação social.

Ivana Bentes, pró-reitora de Extensão da UFRJ, usa o termo “império do empírico” para classificar as atividades de laboratório: práticas diárias atravessadas por erros, acertos e aprendizados coletivos. É nessa lógica que a equipe NINJA acredita e que buscou levar para a UFPA, trocas capazes de ampliar perspectivas, expandir horizontes e fazer o novo emergir a partir das experiências cotidianas.

Para Clayton Nobre, cofundador da Mídia NINJA e coordenador de comunicação da Floresta Ativista, a experiência com os estudantes vai além do esperado. “Eu não sei qual é o nome disso, porque não é algo que se aprende na faculdade. É muito maior, está no âmago. É algo muito mais sensível, e é bom que vocês puderam ver um pouco desse sentimento que a gente carrega quando faz comunicação”, afirma.

O conhecimento construído de forma horizontal permite que os estudantes ampliem a própria percepção dentro da cobertura e passem a enxergar a profissão que escolheram trilhar por novas perspectivas. A comunicação tem voz, cheiro, gosto e sentimentos, dezenas de nuances que precisam ser consideradas e que só podem ser plenamente compreendidas na prática do trabalho. Por isso, a imersão prática na comunicação independente e no jornalismo colaborativo foi tão transformadora para os participantes.

Foto: Pâmela Ortiz

A estudante de jornalismo Maria Paula compartilha que pôde “entender os processos de criação e produção de conteúdos no jornalismo e, sobretudo, vivenciar, na prática, a comunicação como uma ferramenta de luta e transformação social. A experiência de atuar em parceria com a Mídia NINJA foi especialmente significativa, evidenciando o valor do trabalho colaborativo dentro de um coletivo de comunicação independente.”

Fortalecer a integração entre a universidade e os territórios, em um momento de relevância internacional como a realização da COP30 na Amazônia, permite que os estudantes se reconectem com seus lugares de origem e compreendam, na prática, os impactos globais a partir das realidades locais. Essa aproximação amplia o olhar sobre o próprio território, valorizando saberes, experiências e narrativas que muitas vezes ficam à margem dos grandes debates. 

Para Mark Maia, estudante de jornalismo que também participou do projeto, a experiência foi transformadora: “A participação na COP30, juntamente com a Mídia NINJA, me possibilitou expandir meus horizontes não somente na área da comunicação social. Acredito que essa oportunidade foi uma verdadeira imersão em um universo de possibilidades. Enfrentar barreiras linguísticas, produzir conteúdos sensíveis e falar sobre as múltiplas realidades que compõem nossa sociedade torna tudo ainda mais rico “, afirma.

A sensação que permanece é de dever cumprido e de realização da proposta de transformar a COP30 em uma grande sala de aula para estudantes de comunicação da Universidade Federal de Pernambuco. A experiência contribuiu para formar profissionais mais conscientes, estimular o ativismo e fortalecer o pensamento crítico. Nesse contexto, o jornalismo e a comunicação deixam de ser apenas uma possibilidade de sustento e passam a se tornar também espaços de identificação, pertencimento e transformação pessoal.

Foi o que aconteceu com a estudante de jornalismo Luiza Amoníaco, que compartilhou a intensidade do processo vivido durante a cobertura com a Mídia NINJA: “Essa experiência me atravessou de forma intensa, fazendo com que eu encontrasse força no meio do meu próprio luto para seguir em frente e reafirmar meu compromisso com um jornalismo ninja, engajado, sensível e politicamente situado.”

 A experiência reafirma o potencial transformador da comunicação quando construída de forma coletiva, crítica e conectada aos territórios. A vivência durante a cobertura da COP30 mostrou que, quando universidade e movimentos de comunicação independente caminham juntos, surgem novas formas de aprender, produzir conhecimento e narrar o mundo. Mais do que formar jornalistas, a iniciativa contribuiu para fortalecer uma geração de comunicadores comprometidos com a escuta, com a justiça socioambiental e com a construção de futuros mais conscientes e solidários.

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