
A equipe mobilizadora do People For Forests se reúne novamente em abril para construir estratégias e planejar os próximos ciclos do projeto, fortalecendo sua atuação internacional. Representando a equipe da Floresta Ativista, Oliver Kornblihtt, editor da Mídia NINJA, segue para Londres, onde participa da articulação marcada para o dia 26l, contribuindo com o desenvolvimento de novas conexões e ações globais que visam proteger as florestas.
O People For Forests é uma rede global que reúne pessoas de diferentes partes do mundo para compartilhar experiências, lutas e esperanças em torno da defesa das florestas. A iniciativa busca construir um terreno comum de atuação, lançando as bases para uma cooperação de longo prazo a partir da troca de perspectivas diversas. Ao promover esse diálogo internacional, o projeto contribui para superar agendas institucionais isoladas e impulsionar soluções inovadoras, concretas e com impacto duradouro.
Atualmente, a rede conta com mais de 130 organizações e ativistas de mais de 53 países, mobilizados na defesa das florestas da África, Américas, Ásia, Europa e Oceania. O encontro é organizado por instituições como CIAI, Fern, Fundação BLESS, IDEF, Mídia NINJA, Floresta Ativista, Climax, Casa NINJA Amazônia e TINTA, que se reúnem novamente este mês no Reino Unido para fortalecer alianças e estratégias conjuntas.
A Floresta Ativista esteve entre os idealizadores e coorganizadores do encontro, desempenhando um papel central na articulação da rede dentro do projeto. À frente dessa atuação esteve Marielle Ramires – comunicadora, ativista e fundadora da Mídia NINJA, da Casa NINJA Amazônia, da Clímax, entre outras iniciativas transformadoras. Sua trajetória foi marcada pelo compromisso com a comunicação independente e a construção de redes globais de impacto em defesa da preservação dos ecossistemas e da vida.

O People For Forests foi um sonho cultivado por Marielle ao longo de anos de trabalho, com o objetivo de conectar territórios e fortalecer a luta pela preservação das florestas. Embora não tenha acompanhado a concretização completa do encontro, sua partida não interrompeu esse caminho. Pelo contrário, sua memória se tornou parte fundamental da realização do evento, atravessando o projeto como força inspiradora e reafirmando o legado de sua atuação.
Mesmo após o término do primeiro encontro na França, as raízes do People For Forests continuaram a se espalhar pelo mundo, mantendo a comunidade ativa e em constante articulação. A iniciativa segue viva por meio das conexões construídas entre seus participantes, que permanecem mobilizados em torno das pautas ambientais e da defesa das florestas.
Após o encontro, os integrantes da rede voltaram a se encontrar informalmente em eventos internacionais, como a COP 30, na Amazônia, e a Semana do Clima em Londres, entre outros espaços globais. Esses reencontros fortalecem os vínculos criados, ampliam o alcance das discussões e consolidam a rede como um movimento contínuo de troca, articulação e ação coletiva.
Após um ano do último encontro, os organizadores do People For Forests voltam a se reunir em um novo núcleo de imersão e mobilização, que acontece no dia 26 de abril, em Londres, com o objetivo de definir os próximos passos da iniciativa, incluindo diretrizes, prioridades e estratégias para o novo ciclo de atuação em escala global. Durante o encontro, também serão discutidos os caminhos para a realização do próximo encontro geral, com definição de formato, local e data, reunindo nos próximos dois anos participantes de todos os países envolvidos.

People For Forests – Edição França
O primeiro encontro do People For Forests aconteceu entre os dias 20 e 22 de maio de maio de 2025, no interior da França, antecedendo a COP 30. O encontro reuniu mais de 130 defensoras e defensores das florestas de 53 países, em um espaço de troca e construção coletiva voltado à proteção dos territórios. Durante os debates, foram destacadas a importância da valorização das ancestralidades, a criação de novas formas de atuação para ampliar o impacto das iniciativas e a necessidade de promover justiça climática, colocando no centro das decisões os povos que historicamente cuidam da Terra.
Oliver Kornblihtt, editor da Mídia NINJA e representante da Floresta Ativista na ocasião, explicou que “foi um espaço de conexão, acolhimento e troca de estratégias. O que a gente mais buscava não era sair daqui com um acordo ou algo tão concreto, mas sim construir um campus temporário, um local onde as pessoas se sentissem acolhidas”. Ele também destacou que muitas das pessoas presentes vivem sob ameaças em seus territórios e enfrentam situações muito difíceis, o que torna ainda mais essencial a criação de espaços seguros de encontro e articulação coletiva.

Além de instituições e coletivos, o encontro do People For Forests reuniu diversas pessoas com contato direto com a floresta, muitas delas inseridas em contextos de vulnerabilidade em razão da exploração de seus territórios. O espaço possibilitou uma troca profunda de perspectivas e vivências em um ambiente seguro e acolhedor. Como destaca Oliver Kornblihtt, “existiam pessoas indígenas, da África, da Ásia, vieram pessoas dos cinco continentes, foi muito potente. Tivemos desde representantes de ONGs até organizações territoriais, reunindo quem está na linha de frente da defesa da floresta e também quem atua na articulação estratégica”, evidenciando a diversidade e a força coletiva construída no encontro.
Nos momentos finais, o encontro avançou para decisões práticas e direcionamentos estratégicos, com destaque para a construção de narrativas unificadas e o fortalecimento da mobilização global em torno da COP 30. Os participantes reforçaram a importância de atuar dentro e fora das negociações oficiais, ampliando a visibilidade das pautas e garantindo a presença ativa dos povos indígenas, reunidos sob a mensagem “a resposta somos nós”. Também foram debatidos desafios relacionados à própria realização da COP e seus impactos nos territórios, consolidando o entendimento de que o evento deve ser visto como parte de um processo mais amplo de luta, finalizando com o fortalecimento de alianças, a definição de caminhos conjuntos e o compromisso de ampliar a articulação internacional em defesa das florestas.

