
A banda paulistana TEST inicia em 2026 mais uma turnê internacional, desta vez em parceria com o SOM, reforçando a circulação da música independente brasileira em circuitos globais. A colaboração marca um novo momento na trajetória do duo, que há mais de uma década constrói uma presença consistente fora do país, agora com suporte estratégico para alcançar novos territórios e públicos.
Formada em 2010, a TEST nasceu do encontro entre dois nomes experientes da cena underground de São Paulo: João Kombi (guitarra e voz) e Barata (bateria). Desde então, a banda se consolidou a partir de uma proposta estética direta e intensa, apostando em um formato enxuto que contrasta com a densidade sonora e a força de suas apresentações ao vivo.
Ao longo dos anos, o duo acumulou colaborações com artistas como Iggor Cavalera e Deafkids, além de manter uma agenda ativa de shows no Brasil e no exterior. Essa trajetória, marcada por experimentação e consistência, ajuda a explicar por que a TEST se mantém como uma das referências mais inventivas da música alternativa brasileira, e por que a parceria com o SOM surge como um passo natural de expansão.
Turnê internacional amplia alcance
A nova turnê começa pelo Japão, com uma sequência de apresentações em cidades como Tóquio, Osaka e Kyoto. Em seguida, a banda passa por outros países da Ásia, incluindo Taiwan, China, Hong Kong e Singapura, marcando sua presença em circuitos que vêm se tornando cada vez mais frequentes em sua rota.
O percurso segue pela Oceania, com shows na Nova Zelândia e participação no festival Dark Mofo, na Austrália. Na sequência, a TEST retorna à América do Sul para apresentações no Chile, mantendo a proposta de circular por diferentes contextos e envolver múltiplas realidades e culturas com sua arte.
Veja mais detalhes sobre a turnê internacional!

Intensidade e experimentação na música
Se a formação enxuta da banda poderia sugerir limitações, na TEST ela funciona como motor criativo. O duo constrói um som denso a partir de guitarras graves, baterias rápidas e vocais intensos, criando uma experiência que se sustenta tanto pelo impacto quanto pelos contrastes.
“Dinâmicas mais baixas e silêncios sempre foram presentes no nosso som”, afirma João Kombi, indicando que a tensão entre excesso e contenção é parte central da identidade da banda.
Essa lógica se estende também às colaborações e aos processos criativos. Para Barata, não há elementos fixos ou intocáveis: “A gente se vê como uma banda sem regras quanto ao som”. Essa abertura permite que a TEST transite com fluidez entre diferentes cenas, do metal extremo a ambientes mais experimentais, incluindo espaços ligados ao jazz.
Mais do que adaptação a mercados ou estruturas, a trajetória internacional da TEST se construiu a partir de uma lógica própria de circulação. A banda mantém a mesma abordagem independentemente do contexto, seja em casas estruturadas ou espaços alternativos.
“A gente sempre tentou tocar no máximo de lugares diferentes possíveis. Lugar com estrutura, lugar sem estrutura, não importa”, resume Barata. Esse princípio se mantém na nova turnê, segundo o baterista, o espetáculo não sofre alterações para se adequar a circuitos mais organizados: “o show é o mesmo”.

Trajetória e formação da identidade
Com mais de duas dezenas de turnês e passagens por cerca de 30 países, a experiência de estrada se tornou parte central da identidade da banda. Os imprevistos são tratados como parte do processo, enfrentados de forma prática e sem romantização.
Apesar da dimensão internacional, os vínculos afetivos permanecem no Brasil. “Mesmo depois de ter passado por quase 30 países, meus lugares favoritos sempre são no Brasil”, afirma Barata, destacando Belém do Pará como um dos destinos mais marcantes no momento.
Nessa nova etapa, a TEST busca expandir sua capacidade de atravessar fronteiras através da música, sem abrir mão de sua identidade e sustentando uma trajetória que combina autonomia, intensidade e experimentação. Enquanto expande territórios, conhece novas culturas e sons, a banda segue aprofundando uma lógica própria de existência no underground, onde cada show funciona como extensão direta de um projeto artístico que resiste a formatos fixos e continua em movimento.
