Evento reuniu 135 expositores, programação formativa e atividades culturais que fortaleceram o design, a memória gráfica e a ocupação dos espaços urbanos

Durante o segundo fim de semana de julho, o Festival de Arte Gráfica NUH! ocupou a Funarte, em Belo Horizonte, com as mais diversas expressões artísticas. Entre impressões artesanais, produção gráfica independente, shows, oficinas e intervenções, os espaços foram tomados por atividades que incorporaram a conexão entre as artes impressas e o futebol popular, evocando o espírito da várzea e as técnicas analógicas de impressão, tema da edição de 2026.
Em um contexto em que a inteligência artificial ocupa cada vez mais espaço na produção criativa, o NUH! destacou o valor do fazer artístico humano, da autoria e dos processos coletivos. A programação reuniu 135 expositores na feira gráfica, além de exposição fotográfica, palestras, oficinas, bate-papos, pintura ao vivo, mesão de desenho, troca de stickers, loja grátis de cartazes, rádio NUH!, área de alimentação, apresentações de DJs e show musical. Ao todo, foram realizadas 20 atividades distribuídas pelos espaços da Funarte, contemplando públicos de todas as idades.

Entre os destaques do primeiro dia estiveram a exposição fotográfica “PEITA DE RIMA – Futebol, moda e identidade nas batalhas de MCs”, dos fotógrafos Pâmela Bernardo e Cadu Passos, e o bate-papo “Quem ainda acredita no corre das feiras?”, com Pedro Valentim, Helen Murta, Peu Lima e Walli Gontijo. Ao longo do fim de semana, o público também participou de oficinas de artes gráficas, fotografia, estêncil, flipbook e criação de flâmulas, aproximando crianças, jovens e adultos dos processos de criação manual.
No segundo dia, a programação formativa contou com o encontro “Palavra desenho: a imagem na entrelinha do texto”, com Julia Panadés, e o debate “Futebol e artes gráficas: Cultura urbana, Copa do Mundo e outras narrativas”, com Tainá Evaristo, Onça Preta, Beatriz Rodrigues e Leoni Paganotti. O encerramento ficou por conta das apresentações de DJs e do NUH! Pocket Show, comandado pelo MC e fotógrafo Matéria Prima, reforçando o diálogo entre arte, cultura urbana, memória gráfica e futebol.

Ao longo dos dois dias, o festival movimentou a cena cultural belo-horizontina e reafirmou a potência da arte independente como ferramenta de transformação social. Além de impulsionar a economia criativa por meio da circulação e comercialização de trabalhos autorais, o NUH! promoveu encontros, fortaleceu redes entre artistas, coletivos e público, e abriu espaço para reflexões sobre valorização artística, ocupação dos espaços urbanos e construção coletiva da cultura.
O projeto contou com o apoio do Design Ativista, frente de design da Mídia NINJA que compreende o design como uma prática política capaz de comunicar, mobilizar e transformar realidades. Apoiar iniciativas como o Festival NUH! significa fortalecer um design comprometido com as pessoas, com os territórios e com a democratização da cultura. Mais do que desenvolver peças visuais, o Design Ativista atua na construção de narrativas, na preservação da memória, na valorização das identidades culturais e na ampliação da visibilidade de artistas e movimentos sociais. Em um cenário de desafios para a produção cultural independente, apoiar eventos como este é contribuir para que a arte continue ocupando os espaços públicos, estimulando a criatividade, fomentando a economia solidária e reafirmando o design como uma ferramenta de participação, resistência e transformação social.










