Clímax fortalece redes culturais nas 12 mesorregiões de Minas Gerais

por | mar 6, 2026

Foto: Culturando na Montanha

São Thomé das Letras recebeu, no último dia 21, o CLÍMAX MG – Encontro de Soluções Climáticas. A atividade integrou a programação do Festival Encontro das Montanhas, que reuniu cerca de 100 agentes culturais. Ao longo das atividades, os participantes construíram coletivamente caminhos para o fortalecimento das culturas de base comunitária e das economias locais, articulando estratégias de enfrentamento das crises socioambientais.

Mais do que um evento pontual, o Clímax MG se consolida como uma rede estadual de articulação que aproxima cultura, comunicação e justiça climática em Minas Gerais. A iniciativa promove encontros entre Pontos de Cultura, coletivos, artistas, comunicadores populares e ativistas, criando espaços de escuta, formação e ação conjunta. O projeto tem como foco a defesa dos territórios, valorização dos saberes tradicionais e na construção de narrativas que enfrentam as desigualdades socioambientais que atravessam o estado.

Desde 2023 o processo já vem acumulando experiências significativas no território mineiro, especialmente no Vale do Jequitinhonha. Com ações realizadas em Diamantina e Couto de Magalhães de Minas, o CLÍMAX fortalece a organização popular e a comunicação comunitária, além de impulsionar estratégias de resistência frente aos impactos da mineração de lítio e de outros modelos de exploração que ameaçam modos de vida locais.

A produtora cultural e organizadora do CLÍMAX,  Eloá Souza, destaca a importância de expandir o encontro para outros territórios,“já tivemos edições no Vale do Jequitinhonha, que é uma área gravemente afetada pelas mudanças climáticas que vivemos hoje, e pretendemos continuar expandindo o projeto e levá-lo para outras regiões”, afirma Eloá.

A rede CLÍMAX segue se ampliando, com ações confirmadas nas 12 mesorregiões do estado. O projeto pretende conectar realidades diversas, entender as mudanças climáticas a partir da vivência de quem as sente na pele no cotidiano, em seu sustento e em seus afetos, e, a partir disso, construir estratégias coletivas de resistência, adaptação e convivência com as mudanças climáticas.

Para esse momento, Irlana Cassini, produtora cultural e integrante da Floresta Ativista, reforça o convite: “Estão todos convidados. Durante o encontro vamos levar formadores, montar um estúdio de podcast, ações de cinema, artes visuais e outras linguagens para seguirmos debatendo o clima, esse tema que nos é tão caro e tão urgente”.

As mudanças climáticas acontecem para todos, mas afetam populações marginalizadas e em vulnerabilidade mais intensamente. Pensar no aquecimento global também é discutir política, cultura e economia. Por isso, a rede CLÍMAX aposta na cultura de base comunitária, nos saberes populares e na comunicação como ferramentas centrais para enfrentar injustiças históricas e afirmar o direito de permanecer e decidir sobre os próprios territórios.

Em um estado historicamente marcado pela mineração e por sucessivas violações socioambientais que atravessam gerações, a rede Clímax segue tecendo redes vivas, solidárias e resistentes, capazes de transformar dor em organização e memória em mobilização, promovendo articulações enraizadas na identidade dos territórios, na força coletiva das comunidades e na construção de futuros possíveis.

Clímax

O Clímax é uma articulação da Mídia NINJA que reúne agentes culturais e comunicadores em torno da pauta da justiça climática desde 2023. A iniciativa articula cultura, comunicação e mobilização social como estratégias centrais no enfrentamento da crise ambiental. Por meio de campanhas, difusão de narrativas e encontros periódicos, o CLÍMAX incentiva a sociedade a compreender as práticas culturais como parte de um projeto civilizatório capaz de enfrentar as mudanças climáticas e propor soluções diante de emergências cada vez mais profundas e estruturais.

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