Clima e contracultura: Cláudio Prado retorna a São Thomé das Letras após 50 anos

por | mar 6, 2026

Foto: Nadia Nicolau

São Thomé das Letras é um marco histórico para os festivais mineiros. Cidade mística e simbólica, tornou-se território de encontros, experimentações e reinvenções culturais. Para o produtor cultural e teórico da contracultura Claudio Prado, é um lugar onde tudo se ressignifica, sensação que ele reviveu após cinco décadas desde sua última visita.

Cláudio marcou presença no 3º Encontro das Montanhas, realizado em São Thomé das Letras. Cinquenta anos depois de sua última passagem pela cidade, ele relembra que foi justamente ali que começou a se envolver com festivais e experiências coletivas que marcariam sua trajetória.

“Festivais eram lugares onde você ia e nascia, descobria coisas, tirava as pessoas do seu lugar de conforto e levava pessoas a olhar para aquilo que eles nunca tinha olhado antes, perceber coisas que nunca tinham visto, apontar nessa direção de um recomeço da humanidade, de reivindicar e repensar tudo, refavela como diria Gil”.

Em uma época em que o mundo enfrenta intensas mudanças climáticas, encontros como o Clímax e o Festival das Montanhas tornam-se espaços fundamentais de reflexão e articulação. São ambientes necessários para repensar a existência humana diante da emergência climática, reafirmar a importância da preservação, valorização dos territórios e compreender os impactos sociais que atravessam essas transformações.

Mais do que debates, esses encontros provocam a revisão do que foi naturalizado como “normal” ou “inevitável”, questionando modelos de desenvolvimento e práticas que, embora comumente aceitas, se mostram profundamente prejudiciais à vida e aos territórios. Para Cláudio, o festival transmite a “sensação dos anos 60, é um momento que de alguma forma está por rebrotar e reexistir, a percepção de que a comunidade precisa de mudanças profundas, pra mim São Thomé era o lugar onde essas mudanças iriam acontecer”. 

A década marcada pela contracultura, que fortaleceu movimentos sociais historicamente marginalizados e trouxe à tona debates urgentes em um cenário político delicado e impositivo, inspira as transformações que se mostram necessárias no presente. Assim como naquele período, vive-se um tempo que exige coragem para questionar estruturas estabelecidas e propor novos caminhos. Hoje, sobretudo diante da emergência climática e da necessidade de mudanças profundas nos modos de viver, produzir e se relacionar com os territórios.

Para Cláudio, algo novo está por vir, “uma coisa necessária e importante. Acho que estamos vivendo um momento muito semelhante ao de anos atrás, um tempo em que existe a perspectiva da possibilidade de algo que, se já soubéssemos exatamente o que é, não seria novo”, compartilha.

Nesse sentido, festivais e encontros funcionam como laboratórios de expressão e reinvenção coletiva, espaços onde é possível experimentar ideias e repensar caminhos. Sob essa perspectiva, o 3º Encontro das Montanhas cumpriu seu papel ao provocar os os participantes com novas perspectivas, reflexões e até paradoxos, ampliando horizontes e reacendendo imaginários.

Foto: Culturando na Montanha

Sobre o 3° Encontro das montanhas 

O Encontro das Montanhas é um festival imersivo realizado em São Thomé das Letras (MG) que articula cultura, clima e fortalecimento de redes locais. Em sua terceira edição, reuniu cerca de 100 agentes culturais para construir coletivamente estratégias de valorização das culturas de base comunitária e das economias locais.

Sobre o Clímax

O Clímax é uma articulação da Mídia NINJA que reúne agentes culturais e comunicadores em torno da pauta da justiça climática desde 2023. A iniciativa articula cultura, comunicação e mobilização social como estratégias centrais no enfrentamento da crise ambiental. Por meio de campanhas, difusão de narrativas e encontros periódicos, o Clímax incentiva a sociedade a compreender as práticas culturais como parte de um projeto civilizatório capaz de enfrentar as mudanças climáticas e propor soluções diante de emergências cada vez mais profundas e estruturais

VOLTAR