Aulão pra ELLAs abre ciclo de formação com debate e acolhimento sobre Burnout Materno

por | mar 28, 2026

Encontro reuniu 145 participantes, entre mães, psicólogas, advogadas e servidoras públicas, para discutir as raízes sociais da exaustão e criar um espaço seguro de escuta coletiva

Foto: Ana Pessoa

A rede ELLA deu início ao seu ciclo de formação com a realização do primeiro “Aulão pra ELLAs” do ano. O encontro focou em um tema urgente e muitas vezes invisibilizado: o Burnout Materno. Ministrada pela psicóloga Roberta Massot, a aula reuniu 145 pessoas em um ambiente que uniu suporte técnico para profissionais da saúde e um profundo acolhimento qualificado para mães.

O esgotamento para além do cansaço

Durante a sessão, Roberta Massot diferenciou o cansaço comum do burnout materno — um esgotamento físico e mental persistente que não cessa mesmo após o repouso. Segundo a especialista, o quadro é frequentemente acompanhado por sentimentos de culpa, fracasso e impotência.

“É fundamental que as mães validem seu próprio cansaço”, afirmou Roberta.

A psicóloga destacou que, como essa questão de saúde raramente é tratada com a devida seriedade pela sociedade, cabe às mulheres o exercício constante de reafirmar o que sentem e compreender como esses sentimentos as atravessam.

Foto: Ana Pessoa

As raízes no patriarcado e a solidão materna

Um dos pontos centrais do debate foi a relação direta entre a solidão materna e as estruturas do patriarcado. Roberta analisou como o desequilíbrio naturalizado nos papéis de gênero sobrecarrega as mulheres. A busca por um ideal de “maternidade plena e incondicional” silencia a exaustão e gera um ciclo de sofrimento: a mãe se pressiona para dar conta de tudo, o esgotamento chega e, com ele, a culpa por não atingir um padrão impossível.

O debate reforçou que o burnout não é sinal de fragilidade individual ou falta de organização, mas o resultado de um contexto social que muitas vezes desresponsabiliza os genitores e minimiza a jornada dupla (ou tripla) das mulheres.

Interseccionalidade e Redes de Apoio

A análise também trouxe recortes de vulnerabilidade social, como dificuldades econômicas e o acesso restrito ao cuidado, que adicionam camadas extras de estresse à rotina materna. A solução, conforme apontado no encontro, passa pela busca de orientação psicológica e, crucialmente, pelo fortalecimento das redes de apoio e do cuidado coletivo.

Foto: Ana Pessoa

Um espaço de cura e formação coletiva

Mais do que uma aula teórica, o Aulão pra ELLAs se consolidou como um território de amparo. Com a participação de 145 pessoas, o evento abriu espaço para depoimentos emocionantes que transformaram a sala virtual em um ambiente íntimo. Ao compartilhar relatos, as mães puderam transformar dores individuais em consciência política e coletiva, percebendo que não estão sozinhas.

Esta iniciativa, que fortalece a rede de cuidado e capacitação técnica de psicólogas para um atendimento mais humanizado, é uma realização da ELLA (rede internacional de feminismos) em parceria estratégica com a CAUSA (rede de apoio à maternidades). A ação conta com o apoio fundamental do Fundo de Defesa de Direitos Difusos, por meio do Ministério da Justiça e Governo Federal, reafirmando o compromisso público com a saúde mental materna e os direitos das mulheres.

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