Caatinga Climate Week reuniu comunidades tradicionais em Pernambuco para debater a crise climática e mostrar soluções nascidas no semiárido

Na última semana, dos dias 1 a 3 de julho, o CLÍMAX marcou presença na segunda edição do Caatinga Climate Week. Realizado pelo Centro Sabiá e pelo Instituto Socioambiental (ISA), o encontro reuniu lideranças indígenas, quilombolas, agricultores familiares, movimentos sociais, pesquisadores e gestores públicos para discutir os impactos da crise climática e mostrar as respostas que já estão sendo construídas nos territórios. Com o tema “A Caatinga falando para o mundo”, a edição de 2026 teve o objetivo de reforçar o papel estratégico da Caatinga, o único bioma exclusivamente brasileiro, no debate ambiental global.
Inspirada nas semanas do clima realizadas ao redor do mundo, a expedição contou com uma programação de três dias que incluiu visitas a sistemas agroflorestais, experiências de reúso da água, territórios quilombolas e indígenas, bancos de sementes crioulas, iniciativas de agroecologia e projetos que discutem justiça climática e transição energética. Entre os locais visitados estão as comunidades rurais de Vertentes, Bom Jardim, Jucati, Caetés, Jataúba e Caruaru, além dos quilombos de Estivas e Castainho, em Garanhuns, e da TI Xukuru, em Pesqueira. “A imersão do CLÍMAX percorreu caminhos onde a luta climática se encontra com a ancestralidade, a cultura e os modos de vida tradicionais. Mais do que falar sobre a Caatinga, foi um convite para sentir o território, ouvir suas vozes e reconhecer sua potência para além dos estereótipos”, conta Eloá Souza, editora jornalística da Mídia NINJA.

Além de discutir os impactos da emergência climática, a proposta da expedição foi colocar no centro da discussão as vozes de quem protege a biodiversidade, destacando também o protagonismo das mulheres agricultoras, a produção de alimentos sem agrotóxicos, a soberania alimentar e a importância da agricultura familiar no enfrentamento dos desafios climáticos. A programação passou também pela Feira de Caruaru (PE) e pelo Alto do Moura (PE), reconhecidos internacionalmente como um dos maiores polos de arte figurativa das Américas.
“Para o CLÍMAX, estar na Caatinga Climate Week foi reafirmar que a comunicação é uma ferramenta de defesa da vida. Nossa missão foi contar histórias a partir dos territórios, amplificar vozes que há séculos protegem a biodiversidade e mostrar que as respostas para a crise climática também estão nas comunidades, nos povos indígenas, nas comunidades tradicionais e nos conhecimentos ancestrais”, reflete a editora.
A Caatinga fica localizada no semiárido brasileiro, um dos territórios mais vulnerabilizados pela emergência climática, e que historicamente convive com desafios ligados à escassez hídrica e às desigualdades socioambientais. Ao longo de gerações, as comunidades tradicionais desenvolveram conhecimentos, tecnologias e modos de vida para se adaptar ao clima. Em meio a crise, os saberes populares promoveram formas de se relacionar e preservar a região. O encontro funcionou, então, para mostrar que o bioma, mais que um território afetado pela crise, é um território de resposta, inovação, resistência e futuro.
“A Caatinga é floresta. É cultura. É memória. É futuro. E ouvir quem vive esse território é essencial para construir novos caminhos diante da emergência climática”, finaliza Eloá.
