Programação gratuita reúne artistas, ativistas, pesquisadores e organizações da sociedade civil para fortalecer o papel da cultura no enfrentamento da emergência climática

Entre os dias 3 e 7 de agosto, a sede da Mídia NINJA, na Nave Coletiva, em São Paulo, recebe o Hub Cultura e Clima, uma programação especial que integra a São Paulo Climate Week 2026. Ao longo da semana, artistas, pesquisadores, comunicadores, gestores culturais e movimentos sociais se encontram para discutir o papel da cultura na construção de respostas à emergência climática, por meio de oficinas, rodas de conversa, apresentações artísticas e atividades formativas. A iniciativa parte do entendimento de que enfrentar a crise do clima exige não apenas soluções técnicas e políticas públicas, mas também disputas de narrativas, mobilização social e valorização dos territórios.
Inspirada nas principais semanas do clima realizadas ao redor do mundo, a São Paulo Climate Week reúne empresas, universidades, governos, investidores e organizações da sociedade civil em torno do tema “Da agenda global à ação nos territórios”, propondo debates sobre adaptação climática, desenvolvimento sustentável, biodiversidade, economia circular, financiamento climático e fortalecimento das cidades diante dos impactos das mudanças do clima.
É nesse contexto que o Hub Cultura e Clima propõe ampliar o debate ao colocar a produção cultural no centro das estratégias de enfrentamento da crise climática. Além de promover encontros entre artistas e ativistas, a programação busca evidenciar como a arte pode sensibilizar a sociedade, fortalecer campanhas, preservar memórias dos territórios e impulsionar processos de mobilização capazes de influenciar políticas públicas e transformar realidades.
A abertura da programação, realizada na segunda-feira (3), celebrou essa potência com a Mostra Clipes Manifesto, reunindo videoclipes produzidos em defesa dos biomas brasileiros, idealizados pelo letrista Carlos Rennó em parceria com importantes nomes da música nacional. A seleção também apresentou campanhas do movimento “Pare Preste Atenção”, destacando experiências em que a produção artística contribuiu para fortalecer mobilizações populares e conquistar importantes vitórias socioambientais no Sul do Brasil.
Na sequência, a roda de conversa “A arte como instrumento de mobilização e denúncia de crimes socioambientais” reuniu Carlos Rennó, César Lacerda, Geandre Tomazoni, Raíssa Fayet e Verônica Rodrigues para refletir sobre o papel da música e da produção artística na construção de narrativas capazes de denunciar violações ambientais, sensibilizar diferentes públicos e fortalecer a participação da sociedade diante dos desafios impostos pela emergência climática. Encerrando a noite, o pocket show RAÍZES, de Raíssa Fayet e Mate Magnabosco, reafirmou a música como expressão de resistência e ferramenta de mobilização política.
Ao longo da semana, outras atividades aprofundaram o diálogo entre comunicação, cultura e justiça climática. Na quinta-feira (6), a Nave Coletiva recebeu a roda de conversa “Comunicação Muito-Violenta: a importância da radicalização do discurso diante das privatizações e desmontes ambientais em São Paulo”, promovida pelo coletivo Clima Ácido SP. O encontro reuniu Txai Suruí, Mundano, Vitória Oliveira, do projeto Cientista de Quebrada, e Matthaeus para discutir estratégias de comunicação capazes de enfrentar o avanço do greenwashing, denunciar injustiças socioambientais e fortalecer as mobilizações populares em defesa dos territórios e do meio ambiente.
A programação encerra na sexta-feira (7) com a oficina e consulta pública do Culture Global Stocktake for Climate Action (CGST), iniciativa do Entertainment + Culture Pavilion realizada como parte do 3º Seminário Internacional Cultura & Mudança do Clima, do Ministério da Cultura. O encontro reuniu artistas, pesquisadores, gestores culturais, organizações da sociedade civil e formuladores de políticas públicas para construir contribuições ao processo internacional que busca reconhecer a cultura como elemento estratégico das ações de mitigação, adaptação, financiamento, educação e justiça climática previstas no âmbito do Acordo de Paris.
Reunindo diferentes linguagens artísticas, experiências de comunicação e processos de participação social, o Hub Cultura e Clima em parceria com a Mídia Ninja e Clímax reforçam que a emergência climática também é uma disputa de imaginários, narrativas e formas de organização coletiva. Em meio aos debates da São Paulo Climate Week, a programação mostra que a cultura não ocupa um papel complementar nas respostas à crise do clima, mas constitui uma dimensão essencial para mobilizar a sociedade, fortalecer os territórios e construir futuros mais justos e sustentáveis.
