Pontão Clímax participa da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, no Espírito Santo

por | maio 19, 2026

Fotos: Nádia Nicolau

Nesta edição, a Teia Nacional tem como eixo central a Justiça Climática, fortalecendo discussões sobre sustentabilidade, memória coletiva, emergência climática e saberes tradicionais. O encontro funciona como um espaço de articulação e fortalecimento da Política Nacional Cultura Viva, uma das principais políticas públicas culturais do país, que ao longo de mais de duas décadas já certificou milhares de grupos e entidades culturais como Pontos de Cultura em todas as regiões brasileiras.

Ao todo, a programação reúne representantes de Pontos de Cultura de todos os estados do país e do Distrito Federal, além de cerca de 856 delegadas e delegados que irão debater propostas e diretrizes para o fortalecimento das políticas públicas culturais. Representando Minas Gerais, o Pontão Clímax leva ao encontro debates ligados à preservação dos territórios mineiros, à valorização dos saberes tradicionais e à construção de estratégias coletivas diante da crise climática.

Ao longo deste ano, o Clímax MG vem circulando por diferentes territórios de Minas Gerais em um processo de escuta junto a comunidades, coletivos, artistas, comunicadores populares, povos tradicionais e agentes culturais. A proposta é compreender os impactos da crise climática, dos grandes empreendimentos e das ameaças aos territórios, identificando problemáticas, resistências e soluções construídas pelas próprias comunidades diante dos impactos ambientais e sociais que atravessam o estado.

A coordenadora do projeto, Eloá Souza, destaca que a participação na 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura surge como uma oportunidade de ampliar essas discussões nacionalmente. “Na Teia, queremos transformar essas escutas em diálogo nacional, levando as vozes dos territórios atingidos e fortalecendo articulações entre cultura, comunicação popular e justiça climática. Também queremos provocar um debate urgente sobre a expansão da exploração de minerais críticos e estratégicos em Minas Gerais, que pode abrir um novo ciclo de destruição ambiental, social e cultural no estado”, afirma.

Entre os temas centrais trabalhados pelo coletivo estão os impactos da mineração e da corrida pelos chamados minerais críticos e estratégicos, o avanço de grandes empreendimentos sobre comunidades tradicionais, a defesa das águas, dos modos de vida e das culturas populares, além da comunicação popular como ferramenta de mobilização, denúncia e transformação social.

Durante a Teia, o Clímax MG leva experiências construídas junto às periferias, comunidades quilombolas, aldeias indígenas, territórios rurais e movimentos culturais independentes de Minas Gerais, compartilhando práticas de comunicação popular, formação audiovisual, mobilização cultural e fortalecimento das narrativas produzidas pelos próprios territórios. Neste momento, o coletivo busca ampliar especialmente o debate sobre os riscos da chamada “transição energética” reproduzir a lógica histórica de exploração e violência sobre Minas Gerais.

Para Eloá Souza, estar presente no encontro também representa a possibilidade de fortalecer conexões nacionais entre cultura, território e meio ambiente. “A presença do Clímax MG na Teia Nacional é importante porque amplia a conexão entre cultura, meio ambiente, território e comunicação popular dentro de um espaço estratégico da cultura brasileira. Minas Gerais vive diretamente os impactos de sucessivos modelos de exploração econômica, e entendemos que a cultura tem papel fundamental na construção de consciência crítica, memória e mobilização social”, explica.

Fotos: Paulo da Mata

A coordenadora ainda ressalta que a participação no evento permite fazer com que debates frequentemente restritos aos territórios atingidos alcancem dimensão nacional, além de possibilitar a construção de alianças entre Pontos de Cultura de diferentes regiões do país. “Queremos aprender com experiências de organização popular e construção de alternativas que nascem dos próprios territórios”, completa.

Dentro da programação da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, o Clímax MG participa com a missão de trocar metodologias, experiências de mobilização comunitária, estratégias de comunicação popular e formas de fortalecimento da Cultura Viva nos territórios. O encontro entre diferentes Pontos de Cultura se consolida, assim, como um espaço de construção coletiva diante dos desafios climáticos, sociais e culturais enfrentados pelas comunidades brasileiras.

VOLTAR