Clímax MG prepara nova edição no Festival Arte no Mato, em Guapé

por | abr 16, 2026

Foto: Tassio Lopes

A nova edição do Clímax MG está confirmada para o dia 1º de maio, integrando a programação do Arte no Mato, em Guapé. Realizado às margens do Lago de Furnas, o encontro propõe articular arte, cultura e debates ambientais, com foco na valorização dos saberes originários e dos territórios. A iniciativa amplia o diálogo entre práticas culturais e questões urgentes relacionadas ao meio ambiente e à vida nas comunidades locais.

Após um processo de reterritorialização marcado pela inundação de grande parte de seu território na década de 1960, Guapé, uma pequena cidade sul de minas com 13 mil habitantes, passou a se reorganizar em torno do lago, que hoje também impulsiona o turismo na região. No entanto, mais de seis décadas depois, a população ainda enfrenta impactos ambientais significativos, como o descarte irregular de resíduos e a contaminação de áreas de preservação.

Neste contexto, a nova edição do Clímax MG propõe a reflexão sobre os processos ambientais que atravessam a cidade, tendo o Lago de Furnas como espaço simbólico dessas transformações. Se antes associado à destruição, hoje o lago também representa sustento, memória e identidade para os moradores, partindo deste ponto o encontro busca promover escuta, troca de saberes e construção coletiva de caminhos possíveis para o futuro do território.

O Arte no Mato é um festival de arte criado em 2019, que atualmente integra o circuito mineiro de festivais e tem como proposta valorizar a cultura, a natureza e as redes colaborativas. O evento acontece às margens do Lago de Furnas, na bacia do Rio Grande, ocupando a Casa Volante como espaço de encontro, reunindo uma programação com diferentes expressões artísticas, oficinas e apresentações musicais, conectando o público ao território rural e à essência cultural de Minas Gerais.

O espaço onde o Arte no Mato é realizado torna-se um ambiente de encontro, interação e valorização cultural que vai além da programação oficial. Durante os dias de evento, os participantes são convidados a vivenciar experiências coletivas à beira do Lago de Furnas, compartilhar refeições e trocar vivências com artistas e visitantes. Essa imersão promove conexões genuínas, permitindo que o público experimente, na prática, a diversidade de culturas e trocas.

O encontro Clímax que ocorre no primeiro dia de festival integra uma série de 12 ações gratuitas que estão sendo realizadas em diferentes regiões de Minas Gerais, com o objetivo de articular uma rede de mobilização em torno das questões ambientais e territoriais. A proposta busca ampliar o acesso à informação e fortalecer o diálogo entre comunidades diretamente impactadas por projetos de exploração e pelas mudanças climáticas.

Ao longo dessa jornada, os encontros promovem a construção de soluções a partir das realidades locais, valorizando a escuta ativa, a troca de saberes tradicionais e a articulação coletiva. A iniciativa também se dedica a compreender como as transformações nos territórios e os efeitos da crise climática impactam o cotidiano das populações, especialmente em contextos de vulnerabilidade e disputa por recursos naturais.

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