
No último sábado (21) o Clímax aconteceu dentro de um vulcão! integrando a programação do festival Vulcão Cultural, na pista de skate da zona sul da cidade de Poços de Caldas, reunindo arte, mobilização e informação, fortalecendo a presença da comunidade em defesa do território e do meio ambiente. O local escolhido, mais do que um ponto de encontro cultural, se consolida como um território de resistência diante do avanço de projetos de mineração na região.
O encontro colocou em pauta a ameaça da exploração de terras raras, prevista para ocorrer a apenas 300 metros das casas de moradores da região, onde a proximidade do projeto com áreas residenciais tem gerado preocupação entre a população local, que teme impactos diretos em sua qualidade de vida. Segundo pesquisa do grupo Oikos, da UNIFAL-Alfenas, apenas 3% da população se mostra favorável à mineração, evidenciando a forte rejeição social à iniciativa.
Ao longo da programação, o Clímax conduziu uma escuta territorial com a comunidade diretamente afetada, reunindo relatos, percepções e propostas sobre a realidade local. A iniciativa buscou abrir espaço para o diálogo e a troca de experiências, valorizando as vivências de quem está no território, a partir dessa escuta a ação contribui para pensar caminhos coletivos construídos com base nas próprias vozes da comunidade.

Em janeiro de 2026, o COPAM aprovou o licenciamento ambiental prévio, mesmo diante de alertas técnicos e recomendações do Ministério Público Federal sobre os riscos envolvidos. Entre as principais preocupações estão a possível contaminação do Aquífero Alcalino de Poços de Caldas, além da proximidade com barragens radioativas e áreas habitadas, acendendo um sinal de alerta entre pesquisadores, ativistas e moradores, que apontam para possíveis danos ambientais e sociais de grande escala.
Os projetos das empresas Meteoric Resources (Projeto Caldeira) e Viridis Mining and Minerals (Projeto Colossus) impactam diretamente cidades como Poços de Caldas, Caldas, Andradas e Águas da Prata. Diante desse cenário, o coletivo Terra Viva Água Rara tem se mobilizado para denunciar os impactos e fortalecer a organização popular no território. No campo institucional, o deputado Patrus Ananias apresentou, em 13 de fevereiro, um projeto que propõe a criação de uma reserva nacional de terras raras no Sul de Minas e em São Paulo, ampliando o debate sobre soberania, preservação ambiental e uso estratégico desses recursos.

O encontro CLÍMAX faz parte de uma série de 12 encontros gratuitos previstos em diferentes regiões do estado de Minas Gerais, articulando uma rede de mobilização em torno das questões ambientais e territoriais, em busca de ampliar o acesso à informação e fortalecer o diálogo entre comunidades diretamente impactadas por projetos de exploração e pelas mudanças no clima.
Ao longo dessa jornada, os encontros buscam construir soluções comunitárias a partir das realidades locais, promovendo escuta, troca de saberes tradicionais e articulação coletiva. A iniciativa também se dedica a compreender como as mudanças climáticas e as transformações nos territórios afetam diretamente a vida da população, especialmente em contextos de vulnerabilidade e disputa por recursos naturais.

