Nova sede marca expansão da Casa Coletiva Divinópolis e fortalecimento da cena cultural

por | abr 2, 2026

Foto: ondeotremapita

A Casa Coletiva de Divinópolis cresceu, e não apenas em espaço. Ao longo dos anos, o projeto se fortaleceu como um ponto de encontro entre cultura, comunicação e organização comunitária, permitindo que cada vez mais iniciativas encontrassem ali um lugar para se desenvolver. Esse processo de expansão acompanha o próprio crescimento das redes culturais do Centro-Oeste de Minas Gerais.

Nos últimos anos, a Casa Coletiva passou por um processo importante de consolidação como espaço de articulação cultural, comunicação comunitária e formação de redes na região. Mantida pelo Coletivo Sejadoce!, a casa se estruturou como um ponto de encontro entre artistas, coletivos culturais, comunicadores populares e movimentos sociais, criando um ambiente de troca, colaboração e construção coletiva.

Parte desse fortalecimento vem da participação ativa em iniciativas ligadas à política Cultura Viva. A Casa Coletiva, por meio do Coletivo Sejadoce!, integra atualmente comitês gestores de diferentes metas em Pontões de Cultura. Entre elas estão a meta de comunicação do Pontão de Cultura Minas é Muitas, a meta de registro e divulgação do Pontão de Cultura Comunicação Livre e a meta de formação do Pontão de Cultura Clímax MG, além da participação no projeto Expedição Patrimônio Vivo. Essa atuação amplia a capacidade de articulação em rede da casa, conectando experiências culturais de diferentes territórios.

Outro eixo fundamental desse crescimento tem sido a circulação territorial. A partir do projeto Circula, a Casa Coletiva passou a percorrer diferentes cidades do Centro-Oeste mineiro, promovendo encontros, formações e intercâmbios entre coletivos culturais. Esse trabalho ganhou ainda mais força com políticas emergenciais e estruturantes da cultura, como a Lei Paulo Gustavo e, mais recentemente, a Política Nacional Aldir Blanc. A experiência acumulada nesses processos contribuiu para fortalecer redes de coletivos e ampliar o acesso de agentes culturais da região às políticas públicas.

A Casa Coletiva de Divinópolis também desenvolve um trabalho contínuo de aceleração de projetos culturais, apoiando coletivos e artistas em etapas como escrita de projetos, planejamento de ações, produção cultural e comunicação. 

Essa metodologia tem fortalecido diversas iniciativas do território, como é o caso da Oficina de Rima, voltada à formação de jovens na cultura hip-hop; a Cozinha da Mãe Preta, que articula cultura alimentar, memória e geração de renda; e o estúdio do Gkong, voltado à produção musical e ao fortalecimento de artistas independentes da cidade.

Outro momento importante dessa trajetória foi o Festival Pé na Terra, que marcou um encontro ampliado de artistas, produtores culturais e comunicadores da região. O festival também integrou uma das imersões do Circuito Ativista 037, reunindo representantes de cerca de doze cidades do Centro-Oeste de Minas Gerais e fortalecendo o arranjo territorial entre coletivos culturais e iniciativas de comunicação.

A Casa Coletiva também mantém diálogo com instituições culturais e universitárias da região, participando de ações como o Inverno Cultural da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), um dos mais tradicionais programas de extensão cultural do estado, que promove intercâmbios entre artistas, pesquisadores e comunidades.

Todo esse processo de crescimento levou a um novo momento na história do espaço: a mudança de sede da Casa Coletiva. O novo endereço está localizado em um território central da cidade, mas que também carrega características de centralidade popular e periférica. Trata-se de uma região historicamente ligada à formação de Divinópolis, próxima à Igreja do Rosário e à Praça do Mercado, lugares simbólicos da memória cultural local.

A nova sede amplia significativamente as possibilidades de atuação da Casa Coletiva, permitindo a realização de atividades de formação, encontros entre coletivos, residências artísticas, produções audiovisuais e eventos culturais. Mais do que uma mudança física, a expansão representa o amadurecimento de um processo coletivo construído ao longo dos anos.

Essa trajetória também se reflete na diversidade de grupos que já passaram pelo espaço, foram mais de 60 coletivos desenvolvendo atividades ou parcerias com a Casa Divinopolis. Entre eles estão coletivos de juventude, grupos de mulheres, coletivos de pessoas trans, grupos de capoeira, coletivos de rima e cultura hip-hop, iniciativas de produção musical, coletivos de audiovisual, corais comunitários e projetos formados por pessoas surdas, entre muitos outros.

Essa diversidade revela a vocação do espaço da Casa Coletiva Divinópolis  como um território de encontro entre linguagens, identidades e movimentos sociais. Mais do que um equipamento cultural, a casa funciona como uma plataforma de articulação coletiva, onde cultura, comunicação e organização comunitária caminham juntas.

Com a nova sede, a ampliação das parcerias e o fortalecimento das políticas culturais, o projeto segue consolidando seu papel como um espaço de formação, produção cultural e articulação de coletivos no Centro-Oeste de Minas Gerais. 

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