Comunidades ribeirinhas celebram reabertura da pesca do mapará no Pará

por | mar 14, 2026

Foto: Bimba Neto

Da ameaça de extinção à defesa do território e da preservação da biodiversidade, a comunidade do Baixo Tocantins reabriu oficialmente a temporada de pesca no primeiro dia de março. Nesse período, a economia regional é movimentada e garante o sustento de mais de 40 mil pessoas que vivem em cerca de 250 comunidades ribeirinhas espalhadas pelas ilhas e margens do rio Pindobal.

A abertura da pesca é considerada o maior evento pesqueiro da Amazônia Tocantina. A tradição nasceu em 1970, a partir de um acordo entre os próprios ribeirinhos de suspender a pesca por quatro meses ao ano, mesmo sendo essa a principal fonte de renda das comunidades. O movimento surgiu com o objetivo de preservar a vida aquática e evitar a extinção de espécies, fortalecendo-se ao longo dos anos até se tornar uma prática reconhecida e posteriormente transformada em lei.

As comunidades do norte do país vem mostrando, na prática, o que significa uma economia sustentável que respeita o meio ambiente. Mesmo com restrições legais já estabelecidas, os próprios moradores se organizam para vigiar os rios e garantir que a pesca ilegal não aconteça. A mobilização comunitária funciona como uma verdadeira força-tarefa para proteger os recursos naturais e assegurar a manutenção da biodiversidade da região.

Foto: Bimba Neto

O secretário de Meio Ambiente de Cametá, Lucas Fernandes, comentou sobre a redução significativa das denúncias de pesca ilegal ao longo dos anos, resultado do trabalho conjunto entre a comunidade e as instituições de preservação. “Ano passado tivemos 332 denúncias; este ano passou para duas, quase zero. Foi um trabalho bom. Agora a gente espera que a mãe natureza retribua com muito mapará para todos nós”.

A reabertura da temporada de pesca se tornou um marco cultural e uma das mais importantes manifestações econômicas do Pará. Bimba Neto compartilhou um pouco dos momentos de alegria que o evento leva para os moradores: “Esse é o dia em que todos os ribeirinhos se juntam para pescar juntos. É uma festa muito grande e comemoramos a quantidade pescada.” Só no primeiro dia da reabertura, em 2026, as comunidades do município retiraram, juntas, mais de 150 toneladas de mapará, produto que movimenta a economia da região ao longo de todo o ano.

Bimba também explica que o pescado do primeiro dia é compartilhado de forma coletiva. “O pescado também é dividido coletivamente: 50% fica com o dono da rede e os outros 50% são destinados à comunidade, sendo repartidos em partes iguais entre as famílias”. A prática demonstra a força da organização comunitária e o respeito compartilhado pela tradição milenar da pesca na região amazônica.

Falar do mapará é falar de coexistência respeitosa com o meio ambiente e de fortalecimento da comunidade. O peixe não é apenas um produto comercial ou alimento, ele representa cultura, identidade e a própria possibilidade de vida para quem habita a região. Com a reabertura da pesca, inicia-se um ciclo vivo em que o rio garante o sustento, a cidade movimenta a economia e o povo celebra, coletivamente, suas tradições e sua relação ancestral com a natureza.

Foto: Bimba Neto

VOLTAR