
Agora você pode assistir às produções exibidas na Semana do Audiovisual de Roraima 2025/2026 sem sair de casa, por meio da plataforma SedaPlay. A SEDA nasce com o propósito de difundir a produção audiovisual do extremo norte do Brasil para o mundo e, para isso, além das exibições realizadas nos cinemas dos quatro cantos de Roraima, a partir desta segunda-feira (10) todas as produções passam a ficar disponíveis, de forma gratuita, na palma da sua mão.
A SEDA Roraima 2025/2026, ao longo de seis meses, levou centenas de profissionais do audiovisual e apaixonados por cinema às salas de exibição para prestigiar os seis curtas-metragens roraimenses selecionados para o evento. Ao todo, foram quatro etapas de exibição, realizadas respectivamente na comunidade indígena de Campo Alegre, na Serra do Tepequém, em Normandia e, por fim, na capital do estado, Boa Vista.
Para além da valorização do cinema local, o evento atua como incentivo à criação de novas produções, fortalece o consumo e o debate sobre a potência da cultura nortista. Ao longo dos anos, a Semana do Audiovisual tem acolhido mostras de filmes locais, nacionais e internacionais, promovido oficinas, debates e rodas de conversa, ampliando a visibilidade da produção audiovisual feita na Amazônia e abrindo caminhos para que essas narrativas circulem para além das fronteiras do estado. É nesse contexto que a SedaPlay surge como plataforma estratégica para fortalecer esses objetivos, ampliando o alcance das obras e conectando o audiovisual amazônico a novos públicos.
A trajetória da SEDA Roraima 2025/2026
As primeiras etapas da Semana do Audiovisual de Roraima foram exibições realizadas na comunidade indígena de Campo Alegre e na Serra do Tepequém, respectivamente entre os dias 26 e 28 de setembro e 3 a 5 de outubro, onde ocuparam as escolas locais, unindo cinema e educação. A programação estimulou a criatividade de crianças e jovens por meio de uma oficina de cinema e audiovisual, ministrada pelo produtor Cláudio Lavôr, que propôs a realização de um documentário com temática ambiental, concebido e produzido pelos próprios participantes da comunidade.
Além disso, as sessões dos curtas-metragens foram marcadas por momentos de alegria e emoção. Um dos destaques foi a exibição do filme “Fuga”, protagonizado pela atriz indígena Lilith Cairú, que pôde compartilhar seu trabalho dentro de uma comunidade indígena, fortalecendo a representatividade e o reconhecimento do público nortista. A experiência reforçou o incentivo para que jovens artistas abracem suas origens e trajetórias na construção de sua arte. “É mais que um curta-metragem. É um pedaço da história que a gente guarda com carinho de lembrança”, declarou a atriz.
Pela primeira vez em Normandia, a SEDA realizou a penúltima etapa do evento entre os dias 10 e 12 de outubro, reunindo oficinas formativas e sessões de exibição dos curtas-metragens. Além de ampliar o acesso ao audiovisual no município, essa etapa também marcou a finalização da captação de imagens do documentário exibido na COP 30, em Belém, incorporando registros de uma das paisagens mais emblemáticas de Roraima, o Lago do Caracaranã, e reafirmando o compromisso do projeto em conectar formação, território e memória por meio do cinema.
No início de 2026, entre os dias 30 de janeiro e 1º de fevereiro, o Cinema Yanomax, em Boa Vista, foi palco da força da cinematografia roraimense. As sessões lotaram as salas, alcançando ocupação para 163 pessoas e deixando parte do público do lado de fora, à espera de novas vagas, um feito raramente alcançado até mesmo por grandes estreias comerciais estrangeiras.
Ao longo dos três dias de evento, a programação foi além das exibições de filmes e contou com a Oficina NINJA de crítica de cinema, cultura e arte, ministrada por Clayton Nobre, cofundador da Mídia NINJA. O público também participou de uma mesa-redonda com Karla Martins, Ana Aranha, Cláudio Lavôr, Thiago Briglia e Yare Perdonda, que debateram os desafios e caminhos da produção audiovisual na Amazônia. A programação incluiu ainda a exibição gratuita dos filmes “Pau d’Arco” e “O Último Azul”.
Após um hiato iniciado em 2014, o evento retornou em 2025 ainda mais fortalecido, com incentivo da Lei Paulo Gustavo. A SEDA Roraima é feita por pessoas de todas as idades, cores e etnias, que acreditam na valorização da arte e da diversidade cultural brasileira. Neste ano, o evento foi promovido pelo Coletivo Canoa Cultural, Circuito Fora do Eixo e Casa Ninja Amazônia, com apoio de parceiros locais e do Roraima Garden Shopping, mas também foi construído por cada artista que submeteu seu filme, por estudantes, pesquisadores e por todos os amantes do cinema que prestigiaram e sustentaram esse trabalho coletivo.
O coordenador da SEDA Roraima, Maniel Rolla, celebra os resultados ao afirmar que “o evento tem superado nossas expectativas. Iniciamos no ano passado com edições em Campo Alegre, Normandia e Tepequém, apresentando mostras de filmes e oficinas. Essas oficinas resultaram na produção de um documentário e de um curta-metragem, com aproximadamente dez minutos, que está em fase de pós-produção e será lançado em breve como um dos resultados do projeto”. Consumir cinema brasileiro de qualidade é um direito de todos, e a SEDA segue trabalhando para transformar esse direito em realidade, ampliando acessos, narrativas e territórios por meio do audiovisual.
