
A música gaúcha ocupou a capital paulista entre os dias 30 de janeiro e 1º de fevereiro, com os showcases do projeto Som do RS. Após nove meses de intensa troca, estudos e experiências compartilhadas, a primeira edição do projeto se encerra em encontro na sede da Mídia NINJA na capital paulista e amplia as expectativas em torno do cenário musical do Rio Grande do Sul.
Voltado à qualificação e à divulgação da música independente gaúcha, o projeto selecionou 14 artistas gaúchos, que participaram de mentorias, workshops, oficinas e laboratórios de criação conduzidos por profissionais atuantes no mercado da música. A iniciativa busca fortalecer o cenário musical independente da região por meio da descoberta, formação e projeção de novos talentos, promovendo inclusão e diversidade no panorama musical brasileiro.
A etapa final do projeto foi marcada por uma imersão de três dias na Nave Coletiva, sede do Mídia NINJA, com a realização de workshop com Fabiana Lian, da OneStage Lab, e oficinas conduzidas por Pablo Capilé (Mídia NINJA e Fora do Eixo), além de uma roda de conversa com a banda Flor Et e uma oficina com Gilmar Dantas, do Festival Suíça Baiana, de Vitória da Conquista (BA). A programação reforçou a diversidade musical e estimulou soluções criativas para os desafios do mercado musical independente.
Ada Bellatrix, vocalista da banda gaúcha Flor Et, conta que o momento com os participantes do projeto foi muito especial, enriquecedor e acima de tudo realista. “Tivemos uma conversa bem honesta com o pessoal sobre como funciona o nosso modus operandi, nós não somos uma banda com uma super investimento, mas com o que a gente tem, conseguimos fazer acontecer”, conta.
Do reggae ao rock, em meio a uma grande multiplicidade de sonoridades, os artistas se apresentaram em shows abertos ao público na Nave Coletiva, nos dias 31 de janeiro e 1º de fevereiro. A experiência possibilitou levar a música gaúcha para outro estado, onde foi acolhida por um público ansioso por conhecer novos ritmos, sotaques distintos e uma produção que não ocupa os charts das plataformas de streaming, mas que gera identificação, desperta alegria, envolve os sentidos e faz o corpo se mover.
Will Negrão, integrante do Rap Pampa Crew, um dos participantes do showcase, destaca como a experiência foi enriquecedora, gerou ideias para novos projetos e trouxe o incentivo necessário para levar a dupla ainda mais longe. “Pudemos trocar ideia com muita gente, que já conhecia nosso som e também com quem ainda não conhecia. Estamos muito felizes por quebrar a barreira do Rio Grande do Sul e chegar a outros estados levando a nossa música, a nossa ideologia e o nosso feeling.”
O projeto, idealizado por Paulo Zé Barcellos, recebeu incentivo da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) em âmbito estadual, o que possibilitou seu crescimento para além do inicialmente previsto. A construção coletiva do Som do RS foi um passo fundamental tanto para os artistas independentes quanto para o fortalecimento, crescimento e desenvolvimento da música no Rio Grande do Sul.
Sobre o encerramento da primeira edição do projeto, Paulo avalia o processo com entusiasmo e perspectiva de continuidade. “Agora que acabou, com gosto de quero mais e sonhando com um Ciclo II ainda mais potente, chego à conclusão de que tudo o que imaginei se concretizou, e fomos além. No percurso, surgiram muitas coisas extras, realizamos mais do que o projeto previa, conquistamos mais oportunidades, mais visibilidade e mais articulações. Conseguimos motivar uma cena, criar laços entre pessoas, grupos e artistas. Foi uma injeção de ânimo!”.
