3° Encontro das Montanhas abre Circuito Mineiro de Festivais de 2026 em São Thomé das Letras

por | fev 24, 2026

Foto: Culturando na Montanha

O terceiro Encontro das Montanhas, realizado em São Thomé das Letras (MG), entre os dias 19 e 22 de fevereiro, reuniu cerca de 100 agentes culturais que, ao longo da programação, buscaram construir coletivamente caminhos para o fortalecimento das culturas de base comunitária e das economias locais. O evento abriu o calendário de 2026 do Circuito Mineiro de Festivais Independentes, que ocupará todas as regiões do estado durante todo o ano.

Já consolidado no calendário cultural do município, o encontro propõe uma imersão profunda no território, nas relações e nos próprios processos internos de cada participante. Sem horários rígidos para as atividades, a organização aposta em uma dinâmica inspirada nas tradições comunitárias e em formas horizontais de articulação, permitindo que a programação se molde a partir do fluxo do território, do corpo e das conexões estabelecidas ao longo dos dias.

Ao longo dos 4 dias, a agenda incluiu círculos de cultura, rodas de conversa e vivências coletivas, como os “Contatos de 1º Grau”, voltados ao reconhecimento entre territórios, trajetórias e iniciativas presentes. Também integrou a programação o encontro do Clímax MG, iniciativa de Marielle Ramires, uma das fundadoras da Floresta Ativista, Mídia NINJA e rede Fora do Eixo, articulando cultura, comunicação e emergência climática. O encerramento foi marcado pela realização do 2º Fórum Regional Popular da Cultura da Paz, aprofundando debates sobre convivência, justiça socioambiental e o papel da cultura na defesa dos territórios.

O evento atua como um espaço de escuta ativa, formação política e articulação de redes culturais vivas. Em um cenário marcado pela disputa por recursos e pela crescente precarização do trabalho cultural, o encontro se firma como território de resistência e criação coletiva. Com o tema “Ser caminho”, a proposta foi refletir sobre os percursos individuais e coletivos na produção cultural, fortalecendo redes de cooperação, promovendo trocas entre territórios e construindo estratégias para imaginar futuros mais justos, solidários e sustentáveis.

Foto: Culturando na Montanha

A edição deste ano integrou dois projetos do Culturando: o próprio Encontro das Montanhas e o circuito formativo Vamos Falar de Cultura. Após percorrer dez cidades mineiras com debates sobre políticas públicas culturais, trabalho em rede e sustentabilidade coletiva, o circuito foi encerrado na histórica São Tomé das Letras, território simbólico e estratégico para a cultura brasileira, consolidando o encontro como ponto de convergência entre formação, mobilização e ação cultural

Isis Amorim, produtora cultural que participou o evento compartilhou um pouco a sua vivência no encontro das montanhas, para ela foi “uma experiência muito nova, é uma das primeiras imersões que estou vindo e percebo que o que tem para se conectar é maior, o que temos a expandir aqui é muito maior. Esse ano de 2026 é um ano de muito progresso, por isso estamos trabalhando para plantar agora e poder colher no futuro”, afirmou.

O evento também foi marcado por muita música, dança, aulas compartilhadas e plantio de mudas. Acima de tudo, proporcionou uma vivência coletiva, humana e integrada, que permitiu aos participantes refletirem e se aprofundarem em questionamentos e soluções possíveis para fortalecer a cultura e torná-la mais acessível nos territórios brasileiros, independentemente de classe social.

O projeto foi realizado a partir dos esforços coletivos de uma ampla rede de parceiros, entre eles o próprio Culturando na Montanha, Circuito Canastra Rio Grande e Floresta Ativista por meio de diversas redes, como Minas NINJA e Clímax. Além de contar com recurso do edital Edital FEC MG 05/2024 – Cultura da Paz, da Secretaria de Cultura e Turismo de Minas Gerais e do Governo de Minas, que foi essencial para transformar essa experiência em realidade.

Ao final a sensação é de dever cumprido e gratidão. “Que nossos territórios e nossas casas se tornem, a cada dia, espaços vivos de cultivo da cultura, da paz e do bem viver, onde o brincar seja linguagem de encontro, criação e leveza, fortalecendo nossos vínculos e nossa capacidade de imaginar outros mundos possíveis. E que a sustentabilidade da nossa comunidade esteja na capacidade de manter o que construímos vivo. Nas relações que continuam, nas trocas que se renovam, no cuidado constante com os espaços, na coerência entre o que acreditamos e o que praticamos”, declara a equipe organizadora do Encontro.

Foto: Culturando na Montanha

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